OS VIDIOTAS
Julio Clebsch
Jerzy Kosinski foi um escritor polones. Entre suas obras, existe uma chamada O vidiota. Nela, o autor exp?e a mediocridade daqueles que passam horas na frente de uma televis?o. Caso voce nunca tenha ouvido falar do livro, talvez ja tenha assistido ao filme Muito Alem do Jardim, com Peter Sellers ? uma adaptac?o cinematografica da obra de Kosinski. Chance, o personagem principal da pelicula, e um jardineiro e vive sozinho. Sua unica divers?o e assistir a programas televisivos. N?o conto o resto. Compre o livro (melhor) ou veja o filme.
Pois e, outro dia participei duma discuss?o sobre uma possivel revoluc?o a caminho na sociedade brasileira. A revoluc?o do voto, na qual a populac?o, cansada de tudo o que esta ai, promoveria paulatinamente uma limpeza na politica brasileira e, consequentemente, faria-nos submergir como cidad?os, conscientes de nossos direitos e deveres.
Mencionou-se ate a figura de Garobombo, um personagem criado por Manuel Scorza, escritor peruano, no livro Garobombo, el invisible. De certa forma, o sujeito era t?o insignificante que ninguem o percebia. Em outras palavras, Garobombo n?o era visto. Fizeram gato e sapato dele.
O brasileiro seria uma especie de Garobombo e, justamente por n?o ser percebido, por ser insignificante, estaria promovendo uma revoluc?o invisivel. Achei linda a ideia e, sinceramente, torco para que se realize. Mas, infelizmente, n?o a compraria. N?o concordo com ela.
Estou mais para Kozinski e seu vidiota. Nunca comprei a Revoluc?o dos Caras Pintadas, t?o enaltecida no ?impichamento? de Fernando Collor. Para mim, foi muito mais um modismo em func?o do seriado Anos dourados do que um movimento consciente pela decencia politica.
Lembro-me de uma manifestac?o pacifica, na Espanha, protestando contra a violencia imposta pelo grupo separatista ETA. A sociedade civil espanhola mobilizou-se e foi as ruas afirmar seu repudio a violencia dos atos terroristas promovidos por um bando de facinoras.
Por aqui, fechamos industrias, bancos, lojas e repartic?es publicas para assistir a um jogo da Copa. Fazemos tudo isso por temer facc?es criminosas (PCC). Mas n?o fazemos tudo isso para protestar contra o estado de inseguranca das cidades brasileiras. Cidades que pertencem aos brasileiros, n?o aos bandidos que as dominam e as fazem fechar suas portas. Tambem pudera! Nos n?o nos importamos com elas. Preferimos os jogos da Copa. Nossa sociedade n?o se mobiliza.
Na falta de buscar diferentes formas de lazer, o brasileiro estatela-se na frente de uma TV, assiste seu futebolzinho, sua novelinha, seu Fantastiquinho. Quando n?o e isso, fixa-se num Big brother, encanta-se com o Gugu, emociona-se com o Faust?o. Uma musiquinha tambem faz parte de seu repertorio cultural: Tiririca, Eguinha pocoto, Tati quebra-barraco, Popozudas e o Funk baixaria, subpagodes e demais perolas da musica nacional. Quando le um livro, e de auto-ajuda ? queijos, gansos e demais componentes da fauna.
Luciano Pires, autor do livro Brasileiros pocoto ? Uma reflex?o sobre a mediocridade que assola o Brasil (Panda Books), iniciou um movimento para a despocotizac?o do Brasil. Visite o site dele ? www.lucianopires.com.br ?, la voce podera refletir um pouco sobre a burrice que campeia este Pais e, talvez, decida aderir ao movimento.
Estou mais para uma multid?o de ?vidiotas? do que para uma Revoluc?o de Invisiveis. O brasileiro e um refem da televis?o. E um refem do PCC. E n?o quer refletir sobre isso. Prefere jogar a culpa nos ?home? a imaginar que eles s?o um reflexo da sociedade que os elege.
Ate porque isso, refletir, da muito trabalho e ainda vai faze-lo perder seu programa favorito. Fazer o que, ne?