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Novas Tecnologias

Tecnologias educacionais: presenças ausentes na escola
Luci Hildenbrand

Cada vez mais aceleram-se as inovac?es no campo da tecnologia e, em decorrencia, as reflex?es, aplicac?es e experimentac?es na area pedagogica.

Sabemos que em educac?o tudo pode ser tomado como tecnologia e, via de regra, tendemos a nos apropriar dela do mesmo modo que vemos outros fazerem. Se os nossos olhos veem laminas de retroprojec?o serem exemplarmente empregadas para apresentar conteudos que poderiam ser registrados no quadro de giz, passamos a faze-lo na mesma dimens?o. As vezes, ate chegamos a ouvir indagac?es intrigantes que dizem que quando dois meios s?o capazes de cumprir os mesmos papeis pedagogicos, e natural que o mais moderno substitua o outro.

Os especialistas que se dedicam ao estudo dos meios n?o concordam com essa abordagem. Entendem que cada meio e unico, quando considerados seus limites e possibilidades. O nosso pequeno conhecimento em torno das caracteristicas e particularidades das diversas tecnologias e que nos faz lidar com elas restritivamente. Assim, usamos, por exemplo, o filme gravado em video como se fosse o proprio filme; a radio gravada em audio como se fosse a radio; a Internet como se fosse um espaco privilegiado para difus?o de mensagens impressas quando e um espaco altamente apropriado para difus?o de mensagens cinetico-audiovisuais.

Assim, a selec?o das tecnologias educacionais ou a incorporac?o delas na pratica de ensino n?o e uma ac?o desatrelada dos saberes docentes em torno de seus codigos e linguagens, de suas caracteristicas e particularidades, de suas possibilidades e limitac?es.

As tecnologias educacionais precisam ser melhor conhecidas pelos professores para que ? dotados de conhecimentos, atitudes, praticas e posturas compativeis ? possam assegurar a efetiva utilizac?o delas em seus afazeres profissionais.

Inegavelmente, a profiss?o do professor o desafia a incorporar meios e meios de comunicac?o e educac?o no trabalho pedagogico, pois a tecnologia ja e presenca efetiva na escola e esta introjetada na cultura de nossos alunos. Sendo assim, a relutancia em apropriar-se ou buscar perceber que ha alternativa(s) mais apropriada(s) para exercer determinada(s) func?o(?es) no ensino-aprendizagem contribui para o estabelecimento de um ?fosso? entre a escola e a realidade. Estando apartada do meio em que esta inserida, e natural que seja percebida como descontextualizada e que proceda a abordagem dos conteudos de modo fragmentado.

Os objetos do mundo social n?o s?o nem est?o sujeitos aos multiplos olhares, dizeres e pensares da escola. E como se o mundo real, revelando-se tal qual um caleidoscopio, fosse observado, em cada disciplina, segundo uma unica e indissociavel imagem. Imagem que, em verdade, sendo multipla e complexa; carece ser observada e analisada em distintos aspectos. Por conta dessa contemplac?o distorcida ? na medida que fragmentada e descontextualizada ?, a escola passa a ser percebida como obsoleta, relutante a renovac?o e a inovac?o pedagogica, apartada da vida cotidiana, favorecedora do alheamento tecnologico no qual vivemos e fragil promotora da cultura latejante do pais.

Hoje nos deparamos com a necessidade de compreender as tecnologias de tal forma que possamos incorpora-las com propriedade a nossa praxis; e preciso que estejamos abertos a recepc?o dos meios e materiais tecnologicos na escola sem a adoc?o de simplismos. Usar tecnologia n?o e mero clicar de bot?es, de trazer fita de audio ou video para ser assistida, enquanto o docente realiza outra atividade de maior importancia. Usar tecnologia e muito mais do que isso.

Incorporar a tecnologia na escola dentro dos pressupostos das teorias que solicitam, dos agentes comunicativos, interac?o e interatividade e construc?o de conhecimentos ? ajustada ao nivel e a realidade de cada aluno, de modo a poder contribuir para o processo de aprendizagem coletiva e cooperativa ? requer, no minimo, tempo de estudo e desejo de aprender. Sem essas duas condic?es primeiras, as tecnologias ate podem estar presentes na escola, porem n?o estar?o inseridas em abordagem que as assumam como elementos mediadores da compreens?o da realidade que vivemos.

Buscar nossa alfabetizac?o tecnologica e, por conseguinte, um fazer inadiavel: sabemos que as tecnologias educacionais, designando as diferentes categorias de meios ? concretos, impressos, auditivos, audiovisuais e informaticos ? n?o s?o elementos constantes na maioria de nossas salas de aula. Em geral, quando se fazem presentes, s?o exploradas alem dos limites de suas possibilidades ? exemplo marcante pode ser trazido pela lembranca do uso abusivo do retroprojetor, do quadro de escrever, de impressos.

N?o podemos mais continuar nos aventurando por trilhas que levem a selec?o, a utilizac?o ou que dispensem a avaliac?o da pratica pedagogica; precisamos saber se os percursos que realizamos s?o, de fato, os caminhos mais proprios para se chegar ao(s) fim(ns) instrucional(is) e/ou educacional(is) pretendido(s).

Se selec?o, utilizac?o e/ou avaliac?o das tecnologias interferem na comunicac?o escolar, acarretando insatisfac?es e prejuizos aos atores do processo de ensinar e de aprender, e preciso viabilizar saida(s). Segundo Fagundes (2004), o percurso da escola, para adentrar neste mundo conectado e permeado por tecnologias, passa, necessariamente, ?pela curiosidade, pelo intercambio de ideias e pela cooperac?o mutua entre todos os que se encontram tes envolvidos no processo.






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