Os blogs surgiram no final da década de 1990, com o intuito de funcionarem como diários on-line (web logs) nos quais os usuários falavam um pouco de seu dia a dia e seus amigos e conhecidos iam comentando. Com o passar do tempo, a ferramenta ganhou novos objetivos: alguns blogs se tornaram fontes de notícia, outros reuniam imagens e vídeos engraçados e, obviamente, alguns usuários passaram a utilizar os blogs com um viés educacional. É nesta última categoria que se encaixa o blog da professora Isabel Aguiar, de Fortaleza (CE), que leciona aulas de História tanto para o ensino fundamental como para o ensino médio em duas escolas: o Colégio Seráfico e o Instituto Frei João Pedro Sexto.

Isabel, que se tornou professora devido à influência da mãe (também educadora), criou o blog em abril de 2010, logo após adquirir seu primeiro computador. “Com essa ferramenta em mãos e sabendo do interesse dos jovens pela informática, resolvi interagir com eles através do blog. A iniciativa foi minha: envolvida pela realidade do mundo das novas tecnologias, deixei-me seduzir, unindo o útil ao agradável”, afirma a professora, que admite que o blog se tornou um foco das atividades dela: “é o meu xodó”, brinca Isabel, que prepara cada postagem visando o aprimoramento dos leitores.

Os conteúdos postados no blog são quase todos didáticos, abordando o que é ensinado sobre História para o ensino fundamental II e ensino médio. Grande parte do material é composta por elementos audiovisuais e pelos textos utilizados durante as aulas, pois “quem faltou e/ou quer aprofundar o assunto e estudar para provas, é só acessar [o blog]”, diz Isabel. Além disso, os alunos podem conferir o que a professora chama de “suportes educacionais”: são mapas, imagens, vídeos, dicas de sites e de leitura e dicas de sites sobre inclusão e meio ambiente, além da prestação de serviços como a divulgação de imagens de pessoas desaparecidas, entre outros – tudo para poder auxiliar os alunos tanto dentro como fora da sala de aula. Outros temas adotados pela professora são assuntos que fogem do conteúdo didático programado, mas que são de interesse dos alunos, como a “ditadura” da beleza e o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Outra vantagem do blog, segundo Isabel, “é que os pais também podem acompanhar os estudos dos filhos”.

Toda a dedicação da educadora com a ferramenta não passa despercebida pelos alunos. A prova disso são os comentários deixados pelos jovens na página, num espaço dedicado a eles: “aqui tem um bando de loucos por você, a senhora é demais”, “gostei muito do seu blog, [ele] está ótimo, a cada dia está melhorando”, “eu amo o seu blog, ele é demais! E eu também amo as suas aulas, elas também são demais!”, etc. Para o aluno Cláudio Tavares, do 3º ano do ensino médio, “o blog é uma forma diferente e inovadora de estudarmos, pois é inegável ver que as novas tecnologias estão dominando o mundo inteiro, e na educação não seria diferente”. O estudante também elogia muito a forma dinâmica e interativa com que os assuntos didáticos são abordados na página da professora Isabel. “Você pode estudar a história de uma forma diferente e aprofundar a matéria com curiosidades e outras formas de interação, como a postagem, jogos educativos, quiz de perguntas e outros. A professora Isabel também adora o uso das redes sociais, [e às vezes dá] uma aula toda usando o Twitter, por exemplo”, comenta.

Segundo Isabel, os elogios e o interesse dos alunos não são somente “da boca para fora”, e podem ser notados na sala de aula. “Durante as aulas, no laboratório de Informática do colégio, o clima é o melhor possível. A indisciplina praticamente inexiste. Ninguém quer ir beber água ou ir ao banheiro, e quando a aula acaba eles querem continuar. Isso é muito gratificante”, revela a professora. “Antes eu estudava da forma mais arcaica, decorando datas, locais e outras coisas, agora eu aprendo brincando ou apenas navegando no blog”, admite Cláudio, confirmando o interesse dos estudantes pelas aulas e conteúdos do blog.

O reconhecimento do trabalho on-line e off-line da professora Isabel também vem da diretoria. “É um blog atualizado, com uma linguagem que interage com as pessoas que o acessam, possuindo uma riqueza de conteúdos que ajuda os visitantes, principalmente os alunos, a ampliarem seus conhecimentos, e não só em História, mas em diversas áreas de estudo”, afirma Frei Paulo, diretor do Colégio Seráfico, que revela que outros educadores da instituição também estão seguindo o exemplo de Isabel e criando seus blogs.

A página, que possui uma média de 300 acessos diários, já vem ganhando fãs até mesmo de estudantes e professores de fora do Colégio Seráfico e do Instituto Frei João Pedro de Sexto. “Esses [acessos] não são somente dos meus alunos, mas também de estudantes de vários lugares do País e do exterior, os quais sempre me mandam e-mails pedindo dicas e orientações. Muitos professores comentam as postagens e escrevem parabenizando”, revela Isabel. O blog já é relacionado entre os principais sites do País para a preparação de alunos para o Enem e vestibulares.

O trabalho on-line da professora não se limita à utilização do blog. Ela também conta com o apoio das redes sociais, algo que gosta e utiliza muito. “As redes sociais são uma ponte entre mim, os alunos e o blog, no sentido de facilitar o acesso às postagens através dos links referentes às atividades, e também para tirar dúvidas,” afirma a educadora.

Todo esse sucesso obtido com o blog e também pela sua presença nas redes sociais já faz a professora Isabel Aguiar pensar em se especializar no uso das Tecnologias na Educação. Ela está atualmente elaborando um projeto de mestrado em Tecnologias da Educação no Ensino de História, algo que ela espera que desperte ainda mais o interesse dos outros professores no tema da utilização das tecnologias. “A partir do mestrado, pretendo me especializar cada vez mais e contribuir com meus colegas professores, fazendo com que eles percebam que este é um caminho sem volta. Temos que nos atualizar e a tecnologia está aí para somar”, conclui Isabel.

 

Matéria publicada na edição de novembro de 2012 da revista Profissão Mestre. 

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